sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Corruptos de Cristo


Nos anos 80 do século 20, pessoas de mesma atividade social e credo religioso decidiram criar grupos nos quais aliavam suas práticas cotidianas às espirituais. Foi quando apareceram entidades como Atletas de Cristo, Surfistas de Cristo, Empresários de Cristo, entre outras. Estes grupos existem ainda hoje e sua importância vai além dos benefícios que propiciam a seus integrantes, pois constituem bons exemplos de padrões éticos de convivência em sociedade.
Mas, é claro, não demorou muito para surgirem aberrações.No Rio de Janeiro, apareceram, na década seguinte, os " Traficantes de Cristo".Biblia em uma mão, fuzil na outra, seus líderes chegaram a dar entrevistas à TV, nas quais, em um palavreado em que misturavam baixas gírias a trechos bíblicos, falavam de suas atividades religiosas, certamente desenvolvidas entre uma e outra ação de seu comércio da morte.
Agora, neste início de século 21, não será surpresa se surgirem os "Corruptos de Cristo". O sinal mais forte desta tendência foi o que aconteceu recentemente, na esteira do escândalo de corrupção envolvendo o governador de Brasília, José Roberto Arruda.Em um dos diversos vídeos veiculados pela Internet e TV, aparecem dois deputados e um assessor de Arruda orando em agradecimento a Deus pela suborno que haviam acabado de repartir. E pedindo proteção para os distribuidores do dinheiro, um ato batizado pela imprensa de " oração da propina".
Este é um exemplo extremo .Outros casos já evidenciavam a tendência ao estabelecimento da cumplicidade entre a corrupção e Deus. Recorde-se, por exemplo, da dupla de pastores, flagrada levando ilegalmente dólares para o Exterior, e que usou uma Bíblia para esconder parte do dinheiro. Esta dupla., fundadora e líder de uma milionária seita religiosa, foi condenada à prisão nos Estados Unidos e no Brasil por evasão de divisas . Lembre-se ainda de outro todo-poderoso líder de seita não menos poderosa, processado por vários crimes no País- o último deles por importação irregular de equipamentos e falsificação de documentos- e que, preso aqui,há alguns anos, acusado de curandeirismo, fez questão de ser fotografado na cela com uma Bíblia na mão.
Qual é o deus dessa gente?


Gran Supremo


Na frente da porta:- Sim, senhores, sei que está demorando uma resposta do Gran Supremo sobre o pedido de entrevista coletiva. Mas, até neste momento difícil,em que se recupera de um ataque cardíaco, ele é um grande homem e exerce sua autoridade de maneira incontestável.Quis ficar sozinho esta manhã e determinou que ninguém entrasse no quarto sem que ele chamasse.E, como sempre, vamos todos obedecê-lo, inclusive vocês, jornalistas. Assim é e assim sempre será.

Atrás da porta:“ A dor no peito voltou e está aumentando. Não consigo mexer-me, nem falar, estou sufocado! Alguém precisa entrar logo aqui!”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Uma estátua para Luisa


A legislação diz que não se pode fazer monumentos públicos para quem está vivo. Pois exijo que se abra uma exceção para a deputada e ex-prefeita da Capital, Luisa Erundina. Se existe alguém neste País que merece todas as honrarias é ela. Por quê? Por ser a prova viva e inquestionável de que é possível exercer a política, em qualquer nível, e não roubar o dinheiro público.
Vivemos em um País em que , após exercer um mandato, qualquer prefeitinho de qualquer cidadela do Interior não precisa trabalhar mais. A corrupção garante-lhe um bom padrão de vida para o resto da existência. Alguns vão além e asseguram esta mesma regalia a parentes e amigos.
Pois bem.Erundina, que governou a maior cidade do País e uma das maiores do mundo, com um orçamento anual de 30 bilhões de reais, está precisando da ajuda de amigos para honrar uma dívida. Há alguns dias, promoveram um jantar beneficente visando a arrecadar fundos para que ela possa pagar uma indenização judicial, no valor de 300 mil reais. O único bem que ela possui- o apartamento, comprado mediante financiamento, onde reside- não dá para cobrir o débito. Ressalte-se que a condenação de Erundina foi porque a Prefeitura teria feito uma propaganda irregular durante seu mandato.
Por outro lado, prefeitos que a antecederam foram processados devido a desvios de milhões da prefeitura por meio de esquemas de superfaturamento em obras públicas. Tiveram contas bloqueadas no Exterior, onde estaria depositado, segundo a Justiça, o dinheiro desviado. Chegaram a ser presos por causa desse processo Não há notícias sobre condenações definitivas deles, tampouco se estariam passando dificuldades para honrar eventuais custas e cobranças judiciais
Mas quando chegam as eleições, o que acontece? Candidatam-se e obtem, facilmente, centenas de milhares de votos, enquanto Erundina sofre para obter os sufrágios que a mantem na Câmara Federal.
Fazer o quê? Este País é assim mesmo.Aqui, premia-se a desonestidade.Aliás, ser honesto nestas paragens, principalmente quando se é político, é sinal de imbecilidade.Logo, teremos no dicionário Aurélio a palavra otário como sinônimo de político honesto.
Por isso, repito,com a plena certeza de que não serei ouvido: um monumento a Erundina, em todas as praças do País, já!De quebra, que se faça, também, para David Capistrano, que governou uma das maiores cidades do Estado, Santos, e, pouco anos após deixar o cargo, precisou recorrer ao Sistema Único de Saúde-SUS para fazer o tratamento da doença que o matou.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MICRONTO


A foto de Hitler


- O autógrafo do Hitler é que torna esta foto tão valiosa. Além disso, tem uma história interessante: foi tirada em 1936, em Berlim e pertencia à família de uma das crianças que aparecem ao lado do fuherer. Ao final da guerra, já adulta e temendo ser vítima de alguma acusação de nazismo, ela decidiu manter a foto escondida, o que ocorreu por 50 anos, até seu falecimento recente. Precisando de dinheiro , uma sobrinha decidiu vendê-la. Foi assim que a adquiri, na Alemanha e a trouxe para o Brasil. Ela resistiu ao tempo, à distância e ao medo.
- Vou comprá-la.
Após pagar, Samuel Rabinovich, diante do antiquário atônito, rasgou a foto em pedacinhos

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

LIVROS A MANCHEIAS





Ler é um dos melhores hábitos que uma pessoa pode ter. Proporciona conhecimento, informação e lazer. Melhora a capacidade de raciocínio, de discernimento. Cria uma barreira contra manipulações de qualquer espécie, tornando, assim, o ser humano mais livre, com mais condições de conduzir seu próprio destino.


Não é exagero, portanto, considerar verdadeira tragédia um país em que não se lê. Até há uns cinco anos, a média , no Brasil, era de 1,8 livro lido, por ano, por habitante. Para ter uma idéia da gravidade da nossa situação,basta dizer que nos paises mais desenvolvidos, a média mínima é de 7 livros por habitante/ano.


Mas a coisa tem melhorado por aqui. Segundo pesquisa divulgada há alguns dias pela Câmara Brasileira do Livro-CBL, entre 2004 e 2008, houve um aumento significativo nos índices de leitura no País. Neste período, foram vendidos 211,5 milhões de livros , tendo o segmento editorial crescido 0,88%, o que não é pouca porcaria. A média saltou para 3,7 livros por habitante/ano.


Levantamento recente feito pelo Instituto Pro-Livro, por encomenda da CBL, revela que, hoje, 95,6 milhões de brasileiros admitem ter lido um livro nos últimos 3 meses.
É claro, isso não tem influência direta do presidente Lula, que em inúmeras ocasiões já disse que não gosta de ler. Recentemente, afirmou que até jornal lhe dá sono, preferindo mesmo é ver televisão.


Na verdade, o que ocorreu foi a conscientização, por parte das editoras, de que era preciso tornar o livro mais acessível , quanto ao preço. No período citado na pesquisa, registrou-se uma queda de 24,5% nos preços dos livros didáticos; de 22,4% nos das obras gerais; de 38% nos dos livros religiosos e 23,3% em livros científicos, técnicos e profissionais. Foi um período, também, em que as editoras deram prioridade aos produtos mais baratos, como os livros de bolso.

É claro que estamos longe de ser um país em que a leitura de livros é um hábito comum da maioria da população. Chegar lá, entretanto, não se fará apenas barateando o preço dos exemplares. Será preciso uma política educacional que leve o brasileiro a, desde criança, apreciar a leitura. Hoje, o que se observa é exatamente o contrário. Obrigam, nas escolas, garotos de 8, 9 anos, a lerem, por exemplo, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto; ou O Guarani, de José de Alencar .


Ora, em que pese o fato de serem obras primas da literatura nacional, não são leituras a que se submetam crianças mal entrando na adolescência. Se querem que os estudantes conheçam Machado de Assis, há outros livros dele, mais acessíveis intelectualmente. A impressão que dá é que as obras complexas da bibliografia oficial foram escolhidas com o objetivo de encher o saco da garotada e fazerem-na odiar a leitura para o resto de seus dias.

MICRONTO



Para e segue o onibus


Para o onibus. O homem que conferia um bilhete da loteria, levantou-se de repente, desceu e dirigiu-se correndo ao telefone público. Levino, no banco de trás, cutucou o colega ao lado.

- Vamos atrás do cara. Aposto que acertou os jogos e está avisando alguém da família . Tomamos o bilhete dele e estamos feitos.

Após dizer um palavrão e chamá-lo de "maluco delirante", o colega virou-se e continuou o cochilo interrompido.

Segue o onibus. Some da vista o homem que , no orelhão, pede à esposa para vir pegá-lo, de táxi, naquele local. Ganhara na megasena e tinha medo de ficar andando por aí com o bilhete premiado.